Cidades centradas nas pessoas, a visão de Franz-Anton Vermast

Descubra por que é essencial envolver os cidadãos no centro da transformação digital urbana.

Frans-Anton Vermast é uma referência internacional no campo da inovação urbana. Como Senior Strategy Advisor e International Smart City Ambassador da Amsterdam Smart City, tem desempenhado um papel fundamental na transformação da capital holandesa num exemplo global de cidade inteligente e inclusiva. Com uma abordagem centrada nas pessoas, Vermast promove a transparência e a abertura de dados, algoritmos e processos como princípios essenciais para o desenvolvimento urbano sustentável.

Nesta conversa, realizada durante a III Conferência Internacional de Políticas Públicas e Ciência de Dados, a 20 de maio de 2025, Frans-Anton Vermast partilha a sua visão sobre o futuro das plataformas urbanas, sublinhando a importância da transparência, da sustentabilidade económica e da cocriação como pilares de cidades verdadeiramente inteligentes.

“Quando se coloca os cidadãos no centro da transformação digital urbana, isso significa envolvê-los em todo o processo de desenvolvimento.”

Frans-Anton Vermast

Frans-Anton Vermast

Senior Strategy Advisor e International Smart City Ambassador da Amsterdam Smart City

UW: A Amsterdam Smart City tem sido uma referência global em inovação urbana. Que valores orientadores considera importantes para que uma cidade inteligente seja, antes de mais, uma cidade inclusiva?

FV: Penso que um dos valores fundamentais é ser aberta. Ou seja, algoritmos de código aberto, dados abertos, dados públicos — estes são, na minha opinião, os principais valores quando se quer desenvolver uma cidade inteligente. É importante garantir que tudo é feito com base num princípio não discriminatório, para que ninguém fique para trás e para que se siga uma abordagem inclusiva. Outra questão importante é pensar em todo o modelo de negócio e garantir que não se trata de um pagamento único, mas sim de algo sustentável, que seja economicamente sustentável também.


 

UW: De que forma os dados podem apoiar políticas públicas mais eficazes e transparentes

FV: Sendo transparente sobre as políticas. Escrevê-las. Permitir que as pessoas e os utilizadores finais deem sugestões sobre como melhorá-las. E, no caso de algoritmos abertos, por exemplo, ser muito, muito específico sobre o que se faz com os dados, qual o impacto que terão nos cidadãos, e pedir também opinião aos próprios cidadãos e residentes.

 


 

UW: As cidades inteligentes devem ser cidades para as pessoas. Na sua opinião, o que significa, na prática, colocar os cidadãos no centro da transformação digital urbana?

FV: Quando se coloca os cidadãos no centro da transformação digital urbana, isso significa envolvê-los em todo o processo de desenvolvimento — seja no que toca a gémeos digitais, à inteligência artificial ou aos dados abertos. É necessário envolvê-los e pedir o seu feedback ao longo de todo o sistema, para garantir que tudo está adaptado ao utilizador final.

 


 

UW: Que critérios devem cumprir as plataformas de gestão urbana para serem motores de inovação e não apenas ferramentas tecnológicas?

FV: Antes de mais, têm de ser abertas. Voltamos à questão da plataforma aberta — mas também é essencial que colaborem com as cidades, em vez de apenas venderem os seus serviços. Colaborar, criar um ciclo de feedback. E não ter receio de falar também com os cidadãos e residentes.

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