Dados ao serviço dos territórios e da administração pública, uma conversa com Pedro Sarmento

Saiba como as Plataformas de Gestão Urbana podem promover as decisões públicas mais informadas e a coesão territorial.

Pedro Sarmento é Business Analyst na AMA – Agência para a Modernização Administrativa, onde desempenha um papel importante na concretização da Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes (ENTI). A sua experiência combina conhecimento técnico e estratégico, adquirido em funções anteriores como investigador no NOVA Cidade – Urban Analytics Lab e como professor convidado na NOVA IMS, nas áreas da inteligência geoespacial e analítica urbana. 

Nesta conversa, realizada no âmbito da III Conferência Internacional de Políticas Públicas e Ciência de Dados, Pedro Sarmento partilha a sua visão sobre o papel dos dados no desenvolvimento de cidades e territórios mais inteligentes e coesos. A entrevista destaca o potencial das Plataformas de Gestão Urbana na integração de dados, contribuindo para a criação de serviços públicos mais eficientes e centrados nas necessidades dos cidadãos.

“As Plataformas de Gestão Urbana conseguem integrar dados de todos estes verticais e dão uma visão transversal da informação, que depois pode ser utilizada para dar uma visão global de todo o território (...)”

Pedro Sarmento

Pedro Sarmento

Business Analyst na AMA (Agência para a Modernização Administrativa)

UW: Com base na sua experiência na AMA – Agência para a Modernização Administrativa, de que forma é que os dados podem ser utilizados para apoiar a tomada de decisão em contextos governativos?

PS: Os dados podem ser amplamente utilizados em contextos governativos. O grande desafio — na verdade, existem vários desafios — passa por perceber exatamente qual é que é o grande problema e a questão a que se quer responder com estes dados. E, depois, a forma como vamos aceder a estes dados, ou seja: quais é que são as plataformas que vamos utilizar? Quais serão os formatos em que vamos consumir estes dados para, de certa forma, conseguir produzir inteligência e conhecimento sobre estes dados, para que possamos responder às necessidades de uma área governativa, da administração pública local, ou da administração pública central?


 

UW: Que papel é que atribui às Plataformas de Gestão Urbana na promoção de uma coesão digital e do território?

PS: As Plataformas de Gestão Urbana têm uma grande virtude. No passado o que tem acontecido é que os Municípios têm gerido os seus dados em silos, ou seja, em diferentes sistemas de informação que respondem a negócios muito específicos dos municípios, nomeadamente ambiente, energia ou água. As Plataformas de Gestão Urbana conseguem integrar dados de todos estes verticais e dão uma visão transversal da informação, que depois pode ser utilizada para dar uma visão global de todo o território, desenvolver casos de uso e resolver questões muito específicas dos territórios. Isto contribui, no final do dia, para levar à criação de serviços públicos válidos para o cidadão.

Não seria muito melhor se pudesse utilizar a mesma aplicação em qualquer cidade? O facto de isso ser possível significa que, nos bastidores, a interoperabilidade foi garantida. A interoperabilidade assegura uma ligação perfeita entre os dados em segundo plano, sem que o utilizador tenha de se preocupar com isso ou tomar qualquer ação, como descarregar uma nova aplicação para cada cidade que visita.


 

UW: Que visão é que tem para o futuro da Administração Pública em Portugal no que toca ao uso de dados e tecnologias para o desenvolvimento de cidades e territórios?

PS: O grande desafio é termos dados e serviços de partilha de dados que possam ser partilhados entre toda a administração pública, central e local, e também áreas governativas. O que se tem verificado até ao momento, é que os Municípios têm necessidade de dados da administração pública central, e o contrário também acontece. O que a AMA pretende com a Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes e com as diversas iniciativas, nomeadamente a criação do sistema de dados para os territórios inteligentes, é criar um ecossistema de partilha de dados que permita este acesso dos Municípios aos dados da Administração Pública central e vice versa, para que possam responder às necessidades de cada uma destas entidades.

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